Segurança · 4 min de leitura
Ransomware em setembro de 2026: 790 vítimas e o que muda
Resumo em português do relatório de ransomware da Bitdefender sobre setembro de 2026: grupos mais ativos, derrubada do KillSec e o que a PME deve fazer.
Por Jean Pierre · Publicado em
Resposta rápida
Segundo o Threat Debrief de outubro de 2026 da Bitdefender, grupos de ransomware reivindicaram 790 vítimas em setembro, 30% a mais que em setembro de 2025. O grupo The Gentlemen liderou, com 105 vítimas, e uma operação internacional derrubou o site e os servidores do KillSec. Para a empresa, o recado é manter backups testados, aplicar correções rápido, proteger acessos com MFA e ter detecção e resposta, porque derrubadas costumam levar grupos a mudar de nome, não a acabar.
A Bitdefender publica todo mês o Threat Debrief, um panorama de ransomware. A edição de outubro de 2026 cobre setembro e traz números e fatos que ajudam qualquer empresa a calibrar a própria defesa. Este texto resume o relatório em português, confere os fatos principais com fontes independentes quando há e diz o que fazer com ele. Os dados abaixo vêm da edição de outubro de 2026 do Threat Debrief.
Como o relatório é feito, e a ressalva
A Bitdefender combina fontes abertas (notícias e pesquisas) com dados dos sites de vazamento, onde os grupos de ransomware listam as vítimas que reivindicam. O relatório avisa que não é possível verificar todas as alegações, mas diz que as tendências ao longo do tempo são confiáveis. Por isso, os números são de vítimas reivindicadas, não de ataques confirmados.
Os números de setembro de 2026
- 790 vítimas reivindicadas entre 1º e 30 de setembro.
- 30% a mais do que em setembro de 2025.
- The Gentlemen ficou em primeiro lugar, com 105 vítimas em setembro, e foi o grupo mais ativo em dois dos últimos três meses. Segundo o relatório, ele também reivindica vítimas fora da América do Norte, incluindo a América do Sul.
- Qilin teve queda de 50% no número de vítimas em relação ao mês anterior. Akira também aparece entre os três primeiros.
- Clop reivindicou apenas 2 vítimas, depois de o ShinyHunters comprometer o site de vazamento do grupo, segundo o relatório.
Sobre setores e países: a manufatura teve menos vítimas, educação e pesquisa continuaram entre os dez mais atingidos e o transporte subiu para a 10ª posição. Os Estados Unidos seguem como maior alvo, mas com menos vítimas em setembro, e o Japão aparece na 10ª posição. O relatório não cita o Brasil, e não é possível tirar conclusões sobre o país a partir dele.
Operation KillSwitch: o que mudou com a derrubada do KillSec
Em 30 de setembro de 2026, uma operação internacional apreendeu o site de vazamento do KillSec e vários de seus servidores. A Bitdefender, que acompanhava o grupo desde 2024 e contribuiu para a operação, relata três presos. A cobertura independente do The Record confirma a operação e acrescenta, segundo as autoridades, que o grupo lançou cerca de 1.000 ataques, ao menos metade bem-sucedidos, e que cinco servidores foram apreendidos. Os números de presos e de dados apreendidos variam entre as reportagens, por isso não os detalhamos aqui.
Um detalhe importante para o público de pequenas e médias empresas: o relatório afirma que as vítimas do KillSec incluem muitas organizações de pequeno e médio porte, e que boa parte das invasões do grupo não envolvia ransomware, mas a exploração de falhas em plataformas de nuvem para roubar dados. Ou seja, o problema nem sempre é um arquivo criptografado, e pode ser dado copiado em silêncio.
A lição que o próprio relatório destaca é a mais importante para uma empresa: depois de uma derrubada, é muito mais comum que os grupos mudem de nome e sigam atuando do que simplesmente desapareçam. A prisão de integrantes é um bom sinal, mas infraestrutura de reserva e parcerias podem continuar existindo. Ou seja, o risco não acaba quando um grupo sai das notícias.
Outros pontos do relatório
- Citrix NetScaler: a vulnerabilidade CVE-2026-88779 foi incluída no catálogo de vulnerabilidades exploradas e está sendo usada para derrubar equipamentos NetScaler ADC e Gateway com login via SAML ativado. O Help Net Security confirma que a CISA incluiu a falha no catálogo e que a Citrix observou ataques direcionados. A falha afeta equipamentos locais das séries 14.1 e 13.1 configurados com SAML, e as versões corrigidas são 14.1-73.41 e 13.1-64.28 ou posteriores. Quem usa esses produtos deve conferir o aviso do fabricante e aplicar a correção.
- CRPx0: o grupo anunciou o fim das operações de ransomware e colocou sua infraestrutura à venda por US$ 1.500, mantendo um programa de "hacking como serviço". Segundo o relatório, esse preço baixo pode facilitar a entrada de novos criminosos.
O que a sua empresa pode fazer
O relatório recomenda, entre outras ações, manter registros e acionar as autoridades em caso de ataque, acompanhar as regras de notificação de violações e reforçar os sistemas depois da recuperação. Traduzindo para o dia a dia de uma empresa pequena ou média:
- Backups testados e isolados. Um backup que o ransomware consegue alcançar não é proteção. Teste a restauração de verdade.
- Correções rápidas, principalmente em equipamentos expostos à internet, como VPNs e gateways.
- MFA em todos os acessos remotos e contas de administrador.
- Detecção e resposta nos computadores e servidores. Antivírus sozinho nem sempre basta. Veja o que cada versão do Bitdefender inclui em GravityZone e em EDR e XDR.
- Plano de resposta escrito, com quem decide, quem avisa os clientes e a ANPD. A Resolução CD/ANPD nº 15/2024 prevê comunicação em 3 dias úteis quando há risco relevante.
Para o passo a passo, veja como proteger a empresa de ransomware e o que fazer após um ataque.
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