Segurança · 2 min de leitura
Golpe do falso advogado: como proteger o escritório
Como o golpe do falso advogado usa dados de processos e credenciais roubadas, o que a OAB e o CNJ já fizeram e o que o escritório pode controlar.
Por Jean Pierre · Publicado em
Resposta rápida
No golpe do falso advogado, criminosos usam dados de processos para se passar pelo escritório e pedir pagamentos aos clientes. Parte desses dados é pública, mas credenciais de e-mail e de sistemas roubadas por phishing tornam o golpe muito mais convincente. O escritório reduz o risco com autenticação em dois fatores, antiphishing nas estações e um canal oficial para o cliente confirmar qualquer pedido de pagamento.
O golpe do falso advogado virou uma das fraudes mais denunciadas à OAB. Só a OAB SP recebeu mais de 3.500 denúncias, e a OAB-MG estimou cerca de 500 casos em Minas Gerais em menos de 8 meses de 2025. No Paraná, 557 dos 2.103 registros de 2025 (26,5%) terminaram em prejuízo financeiro, segundo a OAB Paraná.
Como o golpe funciona
- O criminoso obtém o nome do advogado, o número do processo e os dados das partes.
- Entra em contato com o cliente, quase sempre por WhatsApp, usando foto e nome do advogado ou do escritório.
- Diz que há um valor a liberar ou custas urgentes e pede um pagamento por Pix.
- Como as informações do processo são verdadeiras, o cliente acredita.
De onde vêm os dados
- Processos: CPF, telefone, endereço e e-mail das partes podem aparecer em peças e documentos acessíveis. Por isso o Conselho Federal da OAB pediu ao CNJ que esses dados fiquem em documento separado e sigiloso, como já faz um protocolo do TJDFT.
- Credenciais roubadas: um e-mail de phishing que imita tribunal ou cliente captura a senha do e-mail ou do sistema processual. Com ela, o criminoso vê andamentos e documentos reais e acompanha o caso em tempo real.
Em março de 2026, o CNJ aprovou nota técnica favorável ao PL 4.709/2025, que prevê autenticação multifator obrigatória para quem acessa os sistemas processuais.
O que o escritório controla
- Autenticação em dois fatores no e-mail, nos sistemas processuais e em qualquer acesso remoto.
- Antiphishing nas estações e notebooks, para bloquear páginas falsas de tribunais e de login antes que a senha seja digitada. Veja a proteção contra phishing.
- Uma conta por pessoa e acessos revistos quando alguém sai do escritório.
- Canal oficial com o cliente: combine, no contrato e no primeiro atendimento, que nenhum pagamento é pedido por WhatsApp sem confirmação por um telefone já conhecido.
- Registro do que aconteceu: se houver suspeita de acesso indevido, registre datas, contas e medidas tomadas. Com dados sob sigilo profissional, o incidente é de risco relevante e deve ser comunicado à ANPD em até 3 dias úteis (Resolução CD/ANPD nº 15/2024).
Sigilo profissional também é segurança digital
O Estatuto da Advocacia garante a inviolabilidade do escritório e da correspondência eletrônica do advogado (art. 7º, II). Na prática, essa garantia depende de proteger os computadores e as contas onde esses dados estão. Mais detalhes em segurança para escritórios de advocacia.
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