Segurança · 4 min de leitura
PHP2Shell: falha crítica no PHP pede atualização do site
Duas falhas críticas no PHP (CVE-2026-109618 e 109619) permitem execução remota de código. Veja as versões corrigidas e o que fazer com o seu site.
Por Jean Pierre · Publicado em
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Em 21 de outubro de 2026, o projeto PHP publicou correções para duas falhas críticas, CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, apelidadas de PHP2Shell, que permitem execução remota de código sem autenticação. As versões corrigidas são 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35, e o aviso do PHP diz que atualizar é a única mitigação completa. Sites feitos em WordPress, Joomla, Drupal e outros rodam sobre PHP, então a exposição depende da versão de PHP do servidor, que normalmente é controlada pela hospedagem ou pela equipe técnica.
Em 21 de outubro de 2026, o projeto PHP publicou correções de emergência para duas falhas críticas. Elas ganharam o apelido PHP2Shell, e são importantes para qualquer empresa com site, loja virtual ou sistema web, porque o PHP está por trás de muitos deles. Este texto resume o que os avisos oficiais do PHP dizem e o que fazer.
O que são as falhas
São duas vulnerabilidades no núcleo do PHP:
- CVE-2026-109618, "RCE via OOM corruption": o PHP usa um desvio brusco (
longjmp) quando falta memória, e isso pode deixar a memória em estado inválido. Segundo o aviso, a exploração remota sem autenticação foi validada contra o mod_php com configuração padrão. - CVE-2026-109619, "RCE via stale global state": um estado interno que continua apontando para memória de uma requisição já encerrada. O aviso afirma que isso pode levar à execução de código e que a exploração por meio do ciclo de vida de sessão foi validada tanto no mod_php quanto no PHP-FPM.
As duas têm nota 9,2 (crítica) na escala CVSS v4 e permitem execução remota de código com os privilégios do processo web, sem precisar de login. Em termos práticos: alguém na internet pode, em condições favoráveis, fazer o servidor executar comandos.
As versões corrigidas
Os avisos listam como corrigidas as versões 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35. As versões anteriores a essas, em cada ramo, são consideradas afetadas.
Segundo o BleepingComputer, o ramo 8.1 e os anteriores já não recebem atualizações do projeto. Distribuições e fornecedores de suporte estendido podem ter correções adaptadas, e o texto indica que o ideal é migrar para uma versão corrigida. Se o seu site roda em uma versão antiga, a pergunta à hospedagem é: esta versão recebeu a correção, ou preciso migrar?
Antes da publicação, circularam relatos de que "todas as versões do PHP 5 em diante" seriam afetadas e de nota 10. Os avisos oficiais publicados depois mostram outro quadro: nota 9,2 e as versões corrigidas acima.
E o meu site (WordPress, Joomla, Drupal, loja virtual)?
O CMS não é a falha. A falha está na linguagem em que ele roda. Quem tem risco é o site hospedado em servidor com PHP anterior às versões corrigidas. O que importa, portanto, é a versão de PHP do servidor, que em hospedagem compartilhada ou gerenciada é controlada pelo provedor.
Há ataques?
O aviso do PHP afirma que a exploração remota sem autenticação foi validada. O BleepingComputer registra que o diretor de tecnologia da Cloudflare disse ter observado ataques iniciais direcionados às duas falhas antes das correções. Não há, nas fontes que li, número de sites atacados, mas já é motivo suficiente para atualizar sem esperar.
O que fazer, na ordem
- Descubra a versão de PHP do seu site e como ela é atualizada. Pergunte à hospedagem ou à equipe técnica: "o PHP do meu plano já foi atualizado para 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 ou 8.2.35, ou recebeu a correção equivalente?"
- Atualize para uma versão corrigida assim que possível. Os avisos do PHP dizem que é a única mitigação completa.
- Se não der para atualizar já, quem administra o servidor pode aplicar medidas temporárias descritas nos avisos, como limitar o tamanho de requisições e uploads e desativar o acompanhamento de progresso de upload de sessão. Os avisos deixam claro que essas medidas não substituem a correção. A Cloudflare também publicou regras de firewall temporárias, válidas só para o tráfego que passa por ela.
- Faça um backup antes de atualizar e teste o site depois.
- Observe sinais de invasão nos próximos dias: arquivos desconhecidos, usuários administradores que você não criou, redirecionamentos estranhos e picos de tráfego.
Atualizar impede novos ataques por essa falha, mas não remove um acesso já obtido. Se houver suspeita, veja o que fazer quando o site é invadido. E se você usa o plugin Rank Math PRO, leia também sobre o incidente de 15 e 16 de outubro.
Cuidados para a equipe técnica
- Confirme o tipo de servidor (mod_php, PHP-FPM etc.): o aviso trata os casos de forma diferente.
- Não use
RLIMIT_ASnemRLIMIT_DATAcomo mitigação, porque, segundo o aviso, podem acionar o caminho vulnerável. - Siga o texto completo dos dois avisos antes de mexer na configuração.
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