Segurança · 5 min de leitura
Provimento 213 do CNJ: o que os cartórios precisam fazer em segurança
Classes por receita, prazos do Provimento 243, backup, MFA, antivírus e incidentes: o que o CNJ exige dos cartórios e por onde começar a adequação.
Por Jean Pierre · Publicado em
Resposta rápida
O Provimento CNJ 213/2026 fixa padrões mínimos de tecnologia e segurança para todos os cartórios, e o Provimento 243 (21/07/2026) mudou o enquadramento para a receita bruta semestral e os prazos: 180, 240 ou 300 dias para as etapas 1 e 2, conforme a classe. A norma exige MFA em acessos administrativos, backup testado e fora do local, proteção de endpoint e comunicação de incidente crítico à Corregedoria em até 72 horas. A responsabilidade continua pessoal do titular, mesmo com fornecedor contratado.
Cartórios guardam livros, matrículas, procurações e dados pessoais de milhões de pessoas. O Provimento 213/2026 do CNJ transformou a segurança dessas serventias em obrigação com prazo. Este texto resume o que a norma diz, com base nos textos oficiais, e aponta por onde começar. Não é parecer jurídico: confirme o enquadramento e os prazos com a Corregedoria do seu Tribunal.
O que é o Provimento 213
Editado em 20/02/2026 pela Corregedoria Nacional de Justiça, ele define padrões mínimos de tecnologia da informação e comunicação para os serviços notariais e de registro e revoga o Provimento 74/2018. Os objetivos são segurança, integridade, disponibilidade, autenticidade, rastreabilidade e continuidade do serviço.
Em 21/07/2026, o Provimento 243 alterou o enquadramento das serventias e os prazos. Ele entra em vigor 30 dias após a publicação no DJe (23/07/2026), o que, pela contagem, leva a 22/08/2026. Os prazos abaixo correm dessa vigência.
Classes e prazos
Desde o Provimento 243, a classe depende da receita bruta semestral da serventia, e não mais de uma base fiscal. Entram emolumentos e outras receitas da delegação; saem somente os valores arrecadados por conta de terceiros e os repasses legais obrigatórios. Despesas, pessoal e tributos não são deduzidos.
| Classe | Receita bruta semestral | Etapas 1 e 2 | Adequação integral |
|---|---|---|---|
| 1 | até R$ 300 mil | 300 dias | até 36 meses |
| 2 | de R$ 300 mil a R$ 1,5 milhão | 240 dias | até 30 meses |
| 3 | acima de R$ 1,5 milhão | 180 dias | até 24 meses |
Cada classe se divide em subclasses (A a J), que calibram o nível técnico exigido. O enquadramento é revisto todo ano, pela média do exercício anterior, e os limites em reais são atualizados anualmente pela Corregedoria Nacional. As serventias de Classe 1, em especial as da Subclasse A, são prioridade para apoio técnico e programas de adequação.
O que a norma exige do ambiente
Os requisitos variam por classe e constam dos Anexos. Os principais:
- Acesso: autenticação individual e MFA obrigatório em acessos administrativos; contas genéricas e credenciais compartilhadas são vedadas.
- Criptografia: dados em trânsito (TLS 1.2 ou superior) e dados críticos em repouso (equivalente a AES-256 ou superior), inclusive nos backups.
- Backup: rotina automatizada e monitorada, em pelo menos dois ambientes independentes, com ao menos uma cópia protegida contra criptografia maliciosa e exclusão indevida, e testes de restauração documentados (anuais nas Classes 1 e 2; semestrais na Classe 3).
- Metas de recuperação: RPO máximo de 4 horas (Classe 3), 12 horas (Classe 2) e 24 horas (Classe 1); RTO máximo de 8 horas na Classe 3 e 24 horas nas demais.
- Endpoint e rede: proteção de endpoint (antivírus, antimalware ou equivalente) em todas as estações e servidores, firewall com IPS/IDS ou equivalente e segmentação mínima de rede.
- Vulnerabilidades: correção de falhas críticas em até 30 dias; havendo exploração ativa, contenção imediata e correção emergencial, preferencialmente em até 72 horas.
- Incidentes: procedimento documentado de resposta e comunicação de incidente crítico à Corregedoria em até 72 horas.
- Pentest: na Classe 3, a cada 2 anos e quando houver mudança relevante de infraestrutura, com regras específicas para quem usa solução centralizada ou SaaS.
- Tecnologia fora de suporte: não pode ser usada para cumprir os requisitos (art. 4º, § 3º). Sistemas sem atualizações de segurança do fabricante saem do jogo, e o cartório precisa manter a evidência do suporte vigente.
Exceções e prorrogação
O art. 20-A permite, de forma excepcional, cumprir uma exigência em nível técnico diferente, mediante pedido à Corregedoria, três orçamentos e laudo técnico. A autorização vale por no máximo um ano e não alcança backup, integridade e autenticidade dos atos, controle de acesso e registro de auditoria.
O art. 21 permite que a Corregedoria do Tribunal prorrogue os prazos, com plano formal de adequação e medidas compensatórias, até o limite total de 180 dias.
Quem responde
A responsabilidade é pessoal e indelegável do titular, interino ou interventor, mesmo com fornecedor contratado ou solução coletiva (art. 14). Isso inclui escolher e supervisionar quem presta o serviço. O descumprimento injustificado, havendo negligência, imprudência ou omissão relevante, pode gerar processo administrativo disciplinar (art. 24), sem prejuízo da responsabilidade civil e penal.
O cumprimento de cada etapa é declarado no Sistema Justiça Aberta, com renovação anual e síntese do dossiê técnico. A fiscalização é orientada por risco: inconsistências entre o declarado e as evidências chamam atenção.
Por onde começar
- Descobrir a classe. Some a receita bruta semestral e confira a faixa, com a contabilidade.
- Inventariar. Liste computadores, servidores, sistemas, contratos de TI e o que está sem suporte do fabricante.
- Cobrir o básico das etapas 1 e 2. Política de segurança com responsáveis, MFA nos acessos administrativos, proteção de endpoint em todas as máquinas, backup com restauração testada e plano de continuidade.
- Revisar os contratos de TI. Confidencialidade, reversibilidade, portabilidade dos dados e gestão de incidentes precisam estar escritas.
- Guardar evidências. Logs, testes de restauração e decisões entram no dossiê técnico, e é ele que sustenta a declaração.
Onde a Codlinx entra
A Codlinx é parceira oficial Bitdefender. Na proteção de endpoint, o GravityZone cobre estações e servidores, e o EDR (versão Enterprise) ajuda a detectar, investigar e comprovar o que aconteceu num incidente, o que facilita a comunicação à Corregedoria e à ANPD. A norma não exige EDR pelo nome: exige proteção de endpoint, registro e resposta a incidentes, e a escolha da solução é do titular.
Backup, firewall, pentest e consultoria jurídica ficam fora do portfólio atual da Codlinx; indicamos parceiros quando necessário. Nenhuma ferramenta, sozinha, garante a conformidade: ela depende de política, processo e evidência.
Se quiser entender o ponto de partida do seu cartório, o diagnóstico de segurança é gratuito e leva cerca de 2 minutos.
